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Cláudia Capela Ferreira

Colunista

Licenciada em Português e Inglês
Doutorada em Estudos Literários (Do Profano e do Sagrado em Miguel Torga)
Investigadora independente
Bibliófila e cinéfila

Portfolio
Revistasubversa
Wayula e os arrebóis adiados | Cláudia Capela Ferreira | Subversa

Wayula e os arrebóis adiados | Cláudia Capela Ferreira My memory is inside me. Chimamanda Ngozi Adichie Essa dama baté bué, livro de Yara Monteiro, editado pela Guerra e Paz em 2018, decalca os movimentos erráticos dos braços da criança voltados para o corpo da mãe.

Portugal Post
02/15/2019
A solidão felina dos Dramas de Companhia

Poucas serão as páginas deste Dramas de Companhia, de André Domingues, editado em 2016 pela Companhia das Ilhas, em que o vocábulo tempo, e, por consequência, a expressão de toda a sua fleumática musculatura, se ausentam. Obsessivamente, as vozes narrativas vão tecendo os seus pregões em torno deste instrumento arquetípico tão caro aos poetas. Na verdade, o autor é-o sobretudo, pelo que a condensação normalmente requerida nessa clareira lírica se encontra de bom-grado nesta composição de...

Sapo
La Pointe Courte de Agnès Varda nas entrelinhas

La Pointe Courte, Agnès Varda, 1955. Uma comunidade piscatória na Occitanie e um casal desavindo. É entre duas linguagens que o filme assenta, duas margens de um canal. O íntimo e o social como exercício esteticamente posssível. Do rugoso e firme tronco c...

Sapo
O Norte é sempre o bom lugar

Hotel do Norte, de Rui Ângelo Araújo (2017, Companhia das Ilhas), rende culto aos famigerados e apetecíveis binómios ficção/realidade, imaginação/memória, exercício de linguagem/história. Situando a ação no norte, atributo tão exemplarmente irónico, a narr...

Sapo
Na praia de Chesil - Da língua sobre o sexo

Ele ouve Chuck Berry e vem dos subúrbios, ela toca Bach e vive em Oxford. Edward (Billy Howle) e Florence (Saoirse Ronan) apaixonam-se mal se encontram, vivem as imaturas elevações do amor correspondido e casam. O pior vem depois do sim. On Chesil Beach, d...

Portugal Post
03/15/2019
Da morte da palavra utilitária à sobrevivência da espécie

"Por isso, os romances.” (70). Romancear é, afinal, entortar a chave à boca da fechadura; e, como tal, mesmo a linguagem do romance deve pender para um estranhamento, para a desobediência às regras canónicas do mesmo, sempre tão fiéis à ordem comunicante; não há pretensão de resposta, antes, jogo, que, culminante com um princípio estético, sonoro, pode, eventualmente, parir um autor, uma boca ainda assim fechada, pois as raízes emaranham-se, corrompendo a terra que lhe deu guarida. Uma planta...

Portugal Post
02/15/2019
Diamanino e o triunfo do divergente

Se quisermos, um dia, olhar para Portugal nos idos das primeiras duas décadas do século XXI, talvez tenhamos de dedicar 96 minutos ao filme de Gabriel Abrantes & Daniel Schmidt, Diamantino. Esta paródia de traços angulares espelha concretamente a estridente contemporaneidade, ataviada com as estrelas incensadas pelas massas, ícones de prestígio mais ou menos fugaz e verdadeiros case study da militância hodierna do marketing. Esse exercício de aproximação em picado não resiste naturalmente à...